terça-feira, 18 de setembro de 2012

Apresentação

         Olá pessoal, tudo bem???
         Desculpe estar me apresentando somente agora mas estava com alguns problemas para conseguir me inscrever no blog.... Agora, felizmente, está tudo ok!!
         Bem.... meu nome é Mayara Pierre Prado, tenho 25 anos e nasci na cidade de Caçapava - SP.
         Terminei o ano passado o curso de Licenciatura em Matemática aqui na UNESP de Presidente Prudente e este ano entrei no Mestrado em Educação sendo orientanda da professora Maria Raquel Miotto Morelatti.
         Faço parte da Linha de Pesquisa Práticas Processos Formativos em Educação e minha pesquisa é sobre "As expectativas de 'ser professor' dos licenciandos em Matemática e as contribuições da formação inicial".
         Cursando essa disciplina espero poder contribuir assim como todos já estão contribuindo para os meus conhecimentos e reflexões.

Beijos e Abraços

Mayara

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Um esboço sobre o tema “aprendizagem” entre Peirce e Ausubel


                Neste texto faço a relação de alguns pontos entre Peirce e Ausubel no que diz respeito à aprendizagem. Peirce (1972) relata sobre a necessidade de abrirmos os olhos e raciocinar a partir do que já sabemos para alcançar algo que não sabemos, e acredita que o caminho para compreender a lógica está (dentre outros) na capacidade de traçar inferências, sendo esta a última das faculdades na qual adquirimos domínio – para ele mais uma arte de aprendizado longo e difícil do que um dom natural –. Nesse entendimento, o autor cita no seu texto o trabalho de Lavoisier e seus companheiros em superar a máxima dos químicos antigos de ler e rezar, para o de experimentar “fazendo emergir uma nova concepção de raciocínio em termos de algo que deve desenvolver-se estando os olhos abertos, com manipulação de coisas reais em vez de manipulação de palavras e fantasias” (PEIRCE, 1972, p. 73).
               Medeiros (2009, p. 56) ao discorrer sobre experiência (resultado cognitivo do viver) na fenomenologia perciana, entende – com base na máxima do pragmatismo – o pensar o mundo como aparência, isto é, submete-se a análise fenomenológica, e neste sentido a aprendizagem “se daria no fluxo do tempo sendo, portanto, expressão da categoria fenomenológica designada por Peirce de Terceiridade”.
                Na teoria de Ausubel a aprendizagem acontece por assimilação em um processo contínuo e modificações relevantes na estrutura cognitiva “ocorrem, não como resultado de períodos gerais de desenvolvimento cognitivo, mas de uma crescente diferenciação e integração de conceitos específicos na estrutura cognitiva” (MOREIRA, 2006, p. 32). O principal conceito na teoria de Ausubel segundo Moreira (2006) é processo por meio do qual novas informações (pode ser entendido como conteúdo escolar) adquirem significado por interação (não associação) com aspectos relevantes já existentes na estrutura cognitiva. Além disso, esse processo necessita que o material de aprendizagem seja potencialmente significativo (possa ser aprendido pela maioria das pessoas) e haja disposição do estudante para aprender.
                Para a compreensão da aprendizagem na concepção de Peirce – que está na aquisição de conceito e mudança de conduta, pensamento e ação – é preciso analisar as categorias fenomenológicas elencadas pelo autor: Primeiridade, Secundidade e Terceiridade (aqui realizada de forma sintética) – vale ressaltar que Peirce não exclui a relação as dados experienciáveis da vida, o que permite verificar as relações entre as características da consciência do mundo interno e a consciência do mundo externo –. Para Peirce (apud MEDEIROS, 2009, p. 62) na Primeiridade não há possibilidade de mediação, uma espécie de apreciação imediata da experiência vivida destituída de referência pretérita e referência futura, “caracterizada por um estado de consciência no qual se dá a vivência de uma experiência imediata”. Já a Secundidade predomina na realidade, já que há a presença de um outro (chamado de alteridade), o não-ego. Para Peirce (apud MEDEIROS, 2009, p. 63) “a experiência comum está impregnada de Secundidade, é experiência quotidiana, considerada que seja do ponto de vista da consciência interna e externa”. Por fim, a Terceiridade é pensada pelo autor numa relação que faz referência a um processo mediativo. Nesta relação está presente a idéia de signo como algo que representa alguma coisa diferente dele mesmo (um objeto), para um terceiro (interpretante). O interessante é que o signo para Peirce se divide em ícones, índices e símbolos – e que apresenta distinção na teoria de Ausubel, na qual o signo tem a representação de símbolo – . Neste sentido a Terceiridade assinala a presença da mediação como forma assumida “pelo pensamento, nas maneiras através das quais se manifesta qualquer possibilidade de síntese conceitual” (MEDEIROS, 2009, p. 65). Assim, a mediação na fenomenologia perciana não fica alheia da experiência pretérita e a da intencionalidade (referências futuras), isto é, a mediação possibilita-nos diferenciar quem somos e o que são as coisas, e também, estabelecer relações de causalidade, o que permite chegarmos às generalizações. Por conseguinte “Se a experiência, como refere Peirce, ‘é o resultado cognitivo de viver’, uma vez mais pode-se verificar que ela sofre a força da Terceiridade, que permite conhecer a relação de choque e ‘força bruta’ da secundidade e a elevar a um grau inteligível” (Ibidem, p. 66).
                Se para a compreensão de aprendizagem em Peirce as categorias fenomenológicas se faz presente, para Ausubel a aprendizagem envolve representação, conceito e proposição. A aprendizagem representacional “Envolve a atribuição de significados a determinados símbolos (tipicamente palavras), isto é, a identificação, em significado, de símbolos com seus referentes (objetos, eventos, conceitos)” (MOREIRA, 2006, p. 25). Na aprendizagem de conceitos os símbolos são genéricos ou categóricos e possuem atributos criteriais comuns e são designados, em uma cultura específica, por algum símbolo aceito. Por exemplo, o símbolo bola (o som ou palavra “bola”) adquire atributos criteriais comuns a múltiplos exemplos do referente (diferentes tipos de bolas). Já na aprendizagem proposicional o desafio é aprender o significado de idéias em forma de proposição, que vai além do aprender significados de palavras isoladas ou a soma dos significados. Ausubel estabelece ainda outras relações que podem acontecer na aprendizagem – subordinação, superordenação, combinação, diferenciação progressiva, reconciliação integrativa e assimilação obliteradora – porém, não é o objetivo do texto aprofundar a discussão, mas sim apontar de forma sintética as relações presentes na aprendizagem.
                Por conseguinte, considerando as particularidades existentes entre as influências teóricas dos autores e a complexidade de tal discussão (e a pouca leitura que tenho sobre Peirce), percebe-se que a experiência (respeitando as diferenças de conceito de “experiência” entre os autores) está presente na aprendizagem tanto para Ausubel quanto para Peirce. Porém, a fenomenologia perciana amplia o que Ausubel propõe como aprendizagem, já que na semiótica de Peirce (apud MEDEIROS, 2009, p. 65) “os signos se dividem em ícones, índices e símbolos”, enquanto Ausubel (2000, p. 1) utiliza o termo símbolos arbitrários, principalmente palavras que representam algum significado para o aprendiz, isto é, “a uma generalização existente na estrutura cognitiva de quase todas as pessoas, quase desde o primeiro ano de vida – de que tudo tem um nome e que este significa aquilo que o próprio referente significa para determinado aprendiz”, por sua vez Peirce (apud MEDEIROS, 2009, p. 64) esclarece que “A palavra signo será usada para denotar um objeto perceptível, ou apenas imaginável, ou mesmo inimaginável num certo sentido”.
                Neste sentido, Peirce apresenta maiores possibilidades de mediação do sujeito (interpretante) entre o objeto (tudo que exige de nós uma conduta, uma ação) e o representamen (o que representa algo para o sujeito). Portanto, quando o sujeito move-se para conhecer o objeto ele realiza uma mediação na busca de uma generalização do que constitui esse objeto, isto é, “Esse é o sentido mais radical da máxima, que assegura na generalidade, na idéia geral, reconhecida pela mediação – terceiridade –, o significado intelectual de nossa compreensão sobre ele, constitui o próprio objeto.” (COSTA; SILVA, 2011, p. 28)

Referências

AUSUBEL, D. P. Aquisição e Retenção de Conhecimentos: Uma Perspectiva Cognitiva. Lisboa: Paralelo Editora, LDA, 2000.
COSTA, P. S.; SILVA, M. F. A. O método pragmático de Charles S. Peirce. Μετάνοια, São João Del-Rei, n. 13, 2011. Dinsponível: <http://www.ufsj.edu.br/revistalable>. Acesso em: 02 set. 2012.
MEDEIROS, T. T. Q. A Fenomenologia Pragmaticista de Charles S. Peirce. Prometeus: Filosofia em Revista, v.2, n.3, p.1-15, 2009.
MOREIRA, M. A. A teoria da aprendizagem significativa e sua implementação em sala de aula. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2006.
PEIRCE, C. S. Semiótica e filosofia. São Paulo: Cultrix, 1972.
 

domingo, 2 de setembro de 2012

Documentários sobre Educação

colegas, 
aproveito para compartilhar alguns links de documentários sobre educação:

na Finlândia: "Destino: Educação" http://www.youtube.com/watch?v=c3myoabUBFA (1hr de duração)
no Chile: idem: http://www.youtube.com/watch?v=gF-xBK1l6rA (1hr de duração)
e nos Estados Unidos: "Waiting for Superman" http://www.youtube.com/watch?v=wovV2O_t0gw&cc=1 (2 hr de duração, em inglês)
clique em CC junto ao vídeo para legendas

VÍDEO - Lucia Santaella


Aula da Professora Lucia Santaella sobre a relação triádica entre Signo, Objeto e Interpretante.


Sobre a concepção Peirceana de Signo:

"Signo é uma coisa que representa uma outra coisa: seu objeto. Ele só pode funcionar como signo se carregar esse poder de representar, substituir uma outra coisa diferente dele." (p.58)
Santaella, L. (1983). O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense.


"Defino um Signo como qualquer coisa que, de um lado, é assim determinada por um Objeto e, de outro, assim determina uma idéia na mente de uma pessoa, esta última determinação, que denomino o Interpretante do signo, é, desse modo, mediatamente determinada por aquele Objeto. Um signo, assim, tem uma relação triádica com seu Objeto e com seu Interpretante (8.343)." (p.12)
Santaella, L. (2000). A teoria geral dos signos: Como as linguagens significam as coisas. 2a ed. São Paulo: Pioneira. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Leituras para a aula de 28/setembro


Segue a as leituras indicadas para a proxima aula, dia 28/09, como tema "Semiótica peirciana e Educação". Não se assustem! Só há dois textos mais longos, nos demais estão indicadas apenas algumas paginas. Há tbem uma resenha curta. Sugiro a ordem da leitura como apresentada, Faço um comentário geral sobre o que trata cada texto.

Vamos trabalhar estes textos em aula, em dinâmica de grupo.

SEMIÓTICA PEIRCIANA E EDUCAÇÃO:

1- SILVA, A. C. T. da. A perspectiva semiótica da educação. Revista Teoria e Prática da Educação, Maringá, v. 11, n.3, p.259-267, set-dez. 2008.
[LER A PARTIR DO ITEM "SEMIÓTICA E APRENDIZAGEM", p. 263 em diante]
Comentário: apresenta considerações mais gerais sobre as relações entre a semiótica peirciana, educação, ensino  e aprendizagem; a 1a parte deixa a desejar na explicação dos dos conceitos da semiótica peirciana, a 2a parte (p. 263 em diante) é boa.

 2- TURRISI, P. O papel do pragmatismo de Peirce na educação. Cognitio-Estudos: Revista de Filosofia, São Paulo, n. 3, nov 2002.
Comentário: apresenta sugestões para um a "educação pragmatista" a partir de Peirce, por contraste aos modelos de "instrução direta" e "construtivismo".

PRAGMATISMO DE JOHN DEWEY:

 3- CUNHA, M. V. da. Resenha do livro de Carlos O.F. Moreira: "Entre o indivíduo e a sociedade: um estudo da filosofia da educação de John Dewey" , Revista Brasileira de Educação, p. 161-163.
Comentário: descreve sucintamente as "fases" da obra de J. Dewey, destacando alguns de seus principais livros.

4- CUNHA, M. V. da. Três versões do pragmatismo deweyano no Brasil dos anos cinqüenta.  Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 25, n. 2, p. 39-55, jul./dez. 1999.
Comentário: descreve e analisa diferentes versões da apropriação da obra de J. Dewey no Brasil.

5- CARLESSO, D.; TOMAZETTI. John Dewey e a educação como “reconstrução da  experiência”: um possível diálogo com a educação contemporânea. Educação, Santa Maria, v. 34, n. 3, p. 573-590, set./dez. 2009.
[LER ATÉ PAG. 578]
Comentário: trata-se de pesquisa que entrevistou professoras sobre a "cultura experiencial do aluno no ambitente da escola". A 1a parte (até pag. 578) traz a noção de "experiência" em J.Dewey.

 6- BROENS, M.C.; ANDRADE, E.B.; PILAN, F.C. A noção de fluxo contínuo da experiência: contribuições de Dewey para a ciência cognitiva. Cognitio-Estudos: Revista Eletrônica de Filosofia, São Paulo, v.5, n. 1, p. 25-32, jan.-jun. 2008.
[LER ATÉ PAG. 28, ANTES DO ITEM "O PROJETO DE PESQUISA DA CIÊNCIA COGNITIVA]
Comentário: na 1 parte (até pag. 28) apresenta a noção de "experiência" em J. Dewey.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Apresentação

Olá pessoal !!!

Eu sou a Néryla Alves, de Presidente Prudente, licenciada em física e aluna regular do Mestrado em Educação da FCT/UNESP. 
Minha pesquisa tem como objeto de estudo o Curso de Licenciatura em Física da FCT/ UNESP, sou orientada pelo Profº Dr. Paulo Raboni, e fazemos parte da linha de pesquisa "Práticas e Processos Formativos em Educação".


Será um prazer compartilhar com vocês os conhecimentos e as reflexões que nos proporcionará  essa disciplina...

Um grande Abraço, Néryla.

Dedução , Indução e Abdução segundo Peirce

- "A Dedução [...] principia de uma hipótese, cuja verdade ou falsidade nada tem a ver com o raciocínio, óbvio que suas conclusões são igualmente ideais [...]. "
- "A Indução é o teste experimental de uma teoria".[...] Ela parte de uma teoria e determina o grau de concordância da teoria com os fatos. Ela nunca pode dar origem a qualquer idéia que seja. Nem o pode fazer a Dedução."
- "A Abdução consiste em estudar os fatos e delinear uma teoria para explicá-los"
"Todas as idéias da ciência surgem através da Abdução".

PEIRCE, C.S. apud COCHIERI, T.; MORAES, J. A. de. Uma perspectiva pragmática da lógica da descoberta e da criatividade. Cognito-Estudos: Revista Eletrônica de Filosofia, São Paulo, v. 6, n. 1,
p. 1-14, jan.-jun. 2009.

Sobre a Abdução: descoberta e criatividade

"[...] o avanço para novas convicções e novos conhecimentos, em princípio, parte do raciocínio abdutivo. [...] Entre os tipos de inferência lógica que Peirce descreve, a abdutiva é a inferência mais original, porém mais passível de falibilidade, sendo, contudo, a única capaz de gerar novas hipóteses." (p. 10)
[...] segundo Peirce, a abdução é a forma que a razão possui quando inicia o estudo de um novo campo científico que ainda não havia sido abordado. Esse tipo de raciocínio pode ser exemplificado na criação do artista, nas pesquisas históricas, arqueológicas, na formulação de novas teorias, ou mesmo nos procedimentos de investigações criminais, que antes de iniciarem seus trabalhos só contavam com alguns sinais que indicariam pistas a seguir. Nas descobertas científicas, o raciocínio abdutivo se realiza tendo em vista as seguintes etapas: percepção de anomalia em que se segue um estado de surpresa e dúvida; abandono do hábito anterior; geração e seleção de hipóteses que poderiam solucionar o problema". (p.11)

 COCHIERI, T.; MORAES, J. A. de. Uma perspectiva pragmática da lógica da descoberta
e da criatividade. Cognito-Estudos: Revista Eletrônica de Filosofia, São Paulo, v. 6, n. 1,
p. 1-14, jan.-jun. 2009.

apresentação

Olá pessoal, meu nome é Daniela Miranda, sou de Marília, mas regularmente matriculada no Doutorado em Educação do Programa de Pós-Graduação da FCT-UNESP de Presidente Prudente, orientanda da Profª Maria Raquel Miotto Morelatti. Faço parte da Linha de Pesquisa Práticas Educativas e Formação Docente. O tema da minha pesquisa é "Contribuições do Curso de Licenciatura em Matemática na formação docente no que diz respeito ao ensino da Álgebra no Ensino Fundamental".
Será um prazer fazer essa disciplina com vocês. É sempre bom fazer novas amizades e partilhar saberes e aprenderes...
Abraços,
Dani

sábado, 25 de agosto de 2012

Lógica


Ciência que estuda as leis e regras estruturadoras da coerência interna de qualquer pensamento e de qualquer discurso.

A lógica clássica é governada por três princípios (entre outros) que podem ser formulados como segue:
Princípio da Identidade: Todo objeto é idêntico a si mesmo.
Princípio da Contradição: Dadas duas proposições contraditórias (uma é negação da outra), uma delas é falsa.
Princípio do Terceiro Excluído: Dadas duas proposições contraditórias, uma delas é verdadeira.
Com base nesses princípios as proposições simples são ou verdadeiras ou falsas – sendo mutuamente exclusivos os dois casos; daí dizer que a lógica clássica é bivalente.
Para determinar o valor (verdade ou falsidade) das proposições compostas (moleculares), conhecidos os valores das proposições simples (atômicas) que as compõem usaremos a tabela-verdade.

Charles S. Peirce: textos originais

http://www.peirce.org/ comunidade de estudos sobre Charles Sanders Peirce, contendo textos e outros fragmentos originais (em inglês)

Métodos de fixação de crenças: autoridade, tenacidade, a priori e científico

O método da tenacidade é apresentado por Pierce da seguinte forma: "quando, à aproximação de um perigo,  o avestruz enterra a cabeça na areia, está provavelmente escolhendo o caminho mais fácil. Dissimula o perigo e diz calmamente que o perigo não existe; e se está perfeitamente seguro de que o perigo não existe, por que levantaria a cabeça para verificar? Um homem pode atravessar a vida afastando sistematicamente de seus olhos tudo o que fosse suscetível de conduzí-lo a alterar opiniões e se o consegue - apoiando seu método em duas leis psicológicas fundamentais - não sei o que possa ser dito contra o procedimento. Seria uma impertinência egotista objetar que é irracional a atitude referida, pois só equivaleria a dizer que aquele método de firmar uma crença é diferente do nosso. O homem que o acolhe não se propõe a ser racional e, em verdade, se referirá frequentemente está provavelmente escolhendo o caminho mais fácil. Dissimula pois, pensar como lhe agrada.
Não obstante, esse método de fixar a crença - que pode ser chamado método da tenacidade - será incapaz de sustentar-se na prática. A corrente social lhe é contraria. O homem que o acolhe verificará que outros homem pensam de maneira diferente e poderá ocorrer-lhe, em momento de maior lucidez, que outras opiniões são tão boas quanto as suas e isso abalará a confiança na crença que tem."
(PIERCE. C. S. Semiótica e filosofia. São Paulo: Cultrix, Editora da USP, 1975, p. 79-80.)

Em síntese:
A pessoa que utiliza este método se apega a posições já adotadas, ouve o que quer ouvir, evita o que pode gerar dúvidas, afasta-se sistematicamente de seu horizonte qualquer coisa que tenha alguma chance de alterar as suas opiniões, procura o caminho mais fácil, não se propõe ser racional, exime-se da dúvida, e, portanto não favorece a investigação.

Em função do método da tenacidade ser incapaz de se sustentar na prática, pois facilmente se precebe que o pensamento de outro homem pode ser tão justificável quanto o nosso, surge a necessidade de outros métodos.

O método da autoridade é apresentado por Pierce da seguinte forma: " Permitamos, pois, que opere a vontade do Estado e não a do indivíduo. Crie-se uma instituição que terá por meta oferecer à atenção do povo as doutrinas corretas, reiterando-as continuadamente, transmitindo-as à juventude e tendo, ao mesmo tempo, o poder de impedir que doutrinas contrárias sejam ensinadas, advogadas ou proclamadas. Que todas as possíveis cauxas de mudança de ideia sejam afastadas, deixando de ser motivo de apreensão para os homens. Que eles se mantenham ignorantes e não conheçam razão alguma que os leve a pensar diversamente de como pensam. Que suas paixões sejam recenseadas para que eles possam encarar, com aversão e asco, opiniões individuais incomuns. Que todos os homens que repelem a crença estabelecida se vejam condenados ao silêncio. Que o povo aponte esses homens e os unte de alcatrão e cubra de penas ou que se institua uma inquisição para perquirir de maneira de pensar de pessoas suspeitas e que estas, declaradas culpadas de crenças proibidas, estejam expostas a punição exemplar. Qando não se consegue acordo completo por outra forma, o massacre de todos os que não pensem de certa maneira tem-se mostrado meio muito eficaz de igualar as opiniões em um país. Se o poder assim agir não bastar, que seja preparada uma lista de opiniões - com a qual homem algum com a mínima independência de pensamento poderia concordar - e que os fiéis sejam conclamados a aceitar essas opiniões, para que possam ver-se segregados tão radicalmente quanto possível da influência do resto do mundo.
Esse método tem sido, desde os primeiros tempos, um dos principais meios de sustentar corretas doutrinas teológicas e políticas e de preservar-lhes o caráter católico ou universal. Em Roma, especialemente, foi praticada desde os tempos de Numa Pompílio até os de Pio IX. Esse é o mais perfeito exemplo histórico; mas, onde quer que tenha surgido um clero - e nenhuma religião dele prescindiu - esse método foi utilizado em maior ou menor escala. Onde quer que haha uma aristocracia, grêmio profissional ou associação de classe, cujos interesses dependam ou suponha-se que dependam de certas proposições, eoncontram-se, inevitavelmente, traços desse produto natural do sentimento coletivo. O sistema sempre se acompanha de crueldade e, quando coerentemente imposto, os procedimentos cruéis adquirem, aos olhos de qualquer homem racional, as proporções de atrocidades da pior espécie. E isso não deve causar surpresa, pois o defensor de uma sociedade não vê justificativas para sacrificar o interesse dessa mesma sociedade no altar da mercê, onde sacrificaria intesses individuais. Natural, portanto, que a simpatia e a amizade levem, por esse caminho, ao mais brutal exercício do poder." 
(PIERCE. C. S. Semiótica e filosofia. São Paulo: Cultrix, Editora da USP, 1975, p. 80-81.)

Em suma: 
Este método é utilizado por todos que querem manter o poder, seja em qualquer tipo de sociedade ou representação social. As regras são impostas com a ignorância, o terror e a inquisição, a fim de alcançar a concordância de quem não pensa igual ou não pensa em harmonia com o grupo ao qual pertence. Esse é método que tem "incomensurável superioridade mental e moral sobre o método da tenacidade", o seu sucesso tem sido grande e "de fato, sempre apresentou os mais majestosos resultados": é esse o método das crenças organizadas. Mas nenhuma de tais crenças organizadas permaneceu eterna; na opinião de Peirce, a crítica as corroeu e a história as redimensionou e, de qualquer forma, as particularizou.

O método do "a-priori" é o de quem considera que suas próprias proposições fundamentais estão de acordo com a razão. Entretanto, observa Peirce, a razão de um filósofo não é a razão de outro filósofo, como demonstra a história das ideias metafísicas. O método apriorista leva ao insucesso, porque "faz da pesquisa algo semelhante ao desenvolvimento do gosto", visto ser método que "não difere de modo essencial do método da autoridade".

Assim, por um ou outro motivo
, esses três métodos (da tenacidade, da autoridade e do a-priori) não se sustentam. Se quisermos estabelecer validamente as nossas crenças, segundo Peirce, o método correto é o método científico.